Aluno do I Festival de Música de Paraguaçu Paulista

Nos últimos dias 9 a 11, a região Centro-Oeste do estado de São Paulo foi contemplada pelo 1º Festival de Música de Paraguaçu Paulista, que reuniu brasileiros de todos os trópicos. O evento é fruto do maestro Dante Mantovani, estudioso sério com vasto conhecimento literário, linguístico, filosófico, mestre da música e grande admirador de Wagner e Olavo de Carvalho. O centro do pensamento do primeiro está em gesamtkunstwerk, palavra alemã que significa obra de arte total; para o segundo, a filosofia é atividade da alma que busca pela unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa. A música esteve no centro do evento que demonstrou o todo indivisível das artes, espiritualidade e do saber acumulado ao longo de mais de 2.000 anos. O legado de Atenas é a melhor ferramenta para a apreensão da Realidade e a música é a caixa de ressonância mais eficiente, pois, se a intelecção começa pelos sentidos, nada melhor do que a arte que se dá no tempo e que condensa toda a tradição da qual foi criada.

Do solo paraguaçuense minou um oásis do Bom e do Belo, em meio à cultura do útil e da morte. De César a Napoleão, Platão a Zubiri, do canto gregoriano a Beethoven. Dante lançou seus Ensaios Sobre a Música Universal no último dia de redescoberta do ocidente, — o autor é também criador e professor do Seminário de Música — seguido da celebração da Missa e do concerto final, na Paróquia Nossa Senhora da Paz. Para aqueles que reconhecem o valor de nossos fundadores, o encerramento não poderia ter sido mais apropriado. Que seja cultivado um imenso bosque rumo ao Alto das catedrais góticas.

Ao final do evento, uma senhora, visivelmente tocada numa dimensão que transcende infinitamente a da própria apresentação, foi até o Natanael Fonseca, um dos músicos e professores do festival, a fim de parabenizá-lo e agradecer pelo espetáculo. A vida sem a boa música seria um erro.

Aluno do I Festival de Música de Paraguaçu Paulista

Sobre o primeiro festival de música de Paraguaçu Paulista.

Chegou a hora das considerações.

3 dias…

Escrevo essas reflexões ouvindo “Just a silly game”, CD da digníssima Kay Lyra, que nos emprestou sua voz doce para apreciarmos a bossa nova numa noite fria de Paraguaçu Paulista, acompanhada pelo grande Mauricio Maestro em seu violão.

Apesar da música integrar o nome do festival, o evento foi bem mais que isso. Quem teve a oportunidade de participar sabe que que algo especial estava acontecendo. Não se tratava apenas de música, mas de uma quebra violenta de impulsos negativos oriundos da baixa cultura que permeia todo o Brasil. Pessoas de todos os estados se entendiam pelo olhar renovador da boa vontade. Ali havia um contexto espiritual. Dava pra sentir não só pelo que era prazeroso, mas pela força contrária invisível que tentava errante provocar o embaraço das coisas.

3 dias…

Os professores eram simplesmente finos em suas especialidades. A humildade, paciência e alegria em estar lá era clara. Contamos com as aulas e apresentações de grandes maestros.

Camilo Calandreli nos mostrou o poder da voz. Eu, inclusive, que nunca havia cantado pra ninguém, me vi descobrindo meu tom e, junto a pessoas inicialmente desconhecidas num coral que apresentou 4 obras, fiquei até afinado. E que maravilha é essa coisa de cantar!

Helder de Araújo, que fazia parecer fácil tocar Chopin, nos acompanhou durante as aulas e apresentações, nos brindando com o belíssimo som do piano.

Assistimos ao concerto do Duo jacarandá, formado por Natanael Fonseca e Jairo Chaves, que segundo o apresentador e comprovado por nós, são únicos e sabiam muito bem o que estavam fazendo com aqueles instrumentos.

Além, ainda! Assistimos ótimas palestras sobre a relação da música com o direito (Professor Ivan Lago) e da música com a arquitetura (Professora Leila Santos).

A este que escreve foi aberta a oportunidade de expor suas obras de arte. Muito obrigado!

3 dias, gente!

Aí veio a noite final, com as apresentações na Paróquia Nossa Senhora da Paz. Simplesmente uma orquestra dignamente comandada pelo maestro Dante Mantovani, integrada a um coral feito por uma maioria de alunos que nunca haviam se visto, só isso! (kkkkkk). Detalhe: a orquestra e o coral não ensaiaram juntos!

Quem quiser que diga que não havia um “mojo” Divino circulando o festival. De Mozart a “Que beijinho doce” (acompanhada emocionadamente pela plateia), a última noite provou que a iniciativa foi um sucesso e que valeu a pena cada minuto.

Tudo foi coroado pelo lançamento do livro de estreia do maestro Dante, “Ensaios sobre a música universal, do canto gregoriano a Beethoven” (Arte da capa foi humildemente cedida a mim, que me deu tanto orgulho).

Devemos nossos sinceros agradecimentos ao maestro Dante Mantovani, organizador do festival junto com sua esposa Milena Popovic, cuja iniciativa com certeza renderá muitos frutos.
Dante nos levou até lá pelo Seminário On-line de Música, este fortemente indicado para quem quer entender a relação a música, uma das 7 tônicas do saber, com a alma humana.

Obrigado a todos. O poder do exemplo nos ilumina. Foi feito mais do que muita gente numa faculdade inteira. Parabéns pela coragem e que venham os próximos!

Isso tudo em 3 dias…

(AH! E teve a Agnes!)

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