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Manuscrito original de uma sonata de Wolfgang Amadeus Mozart é encontrado em Budapeste - Seminário de Música

Dante Mantovani[1]

Milena Popovic[2]

Às vésperas de completar um ano na produção e apresentação do programa Música Universal, em que faço questão de abordar, analisar e divulgar os grandes clássicos da História da Música para o cada vez mais amplo público de ouvintes da Rádio MCI (http://mci.radio.br) recebi a grata notícia de que hoje, dia 26/09/2014, foi encontrado em Budapeste, na Hungria, manuscrito original de uma das mais conhecidas obras de Wolfgang Amadeus Mozart (1759-1791) [3]: a Sonata n. 11, em Lá Maior (K. 331), composta por volta de

1783, cujo terceiro movimento é famoso Rondó, mais conhecido como Rondó Alla Turca, “amigo íntimo” de todo estudante de piano e paixão primeva de todo bom melômano que se preze.

Ouça             a             sonata             completa             no             link              abaixo:

https://www.youtube.com/watch?v=C954eqInq80

A descoberta do manuscrito é inestimável preciosidade para o mundo da música, que tem como um dos principais inspiradores o gênio de Salzburg. A importância de um manuscrito original é imensa para a musicologia, afora o valor histórico e museológico, pois as anotações originais do compositor em uma partitura são fonte inesgotável de saberes técnicos, estéticos, ideológicos, e até mesmo biográficos[4] que irradiam verdadeira luz que auxilia a compreensão de sua obra.

Há países com grande tradição em estudos musicológicos, como Inglaterra, Alemanha e Suíça, que possuem importantes centros de estudos5 de documentos que auxiliem a compreensão das obras dos grandes mestres da História da Música. Já o estudo de partituras manuscritas pela musicologia equivale ao estudo das fontes primárias nas ciências humanas6, portanto, cada manuscrito que é descoberto auxilia em muito na compreensão da obra à qual serviu de suporte à materialização, e gera, em muitos casos, novos e interessantíssimos conhecimentos sobre a obra em análise.

Por fim, espera-se que essa nova descoberta traga ainda mais informações acerca da célebre Sonata n.11 de Mozart, assim como ao conjunto de sua obra musical, e que possa aclarar , ainda, alguma passam até mesmo a biografia do grande mestre da Música.

Transcrevo abaixo a notícia original publicada pelo periódico francês Le Monde, na tradução da professora de francês e apresentadora da Rádio Vox, Milena Popovic:

“Encontrado original de uma sonata de Mozart”

Considerado perdido há mais de dois séculos, o manuscrito original de uma das obras mais célebres de Mozart, a Sonata em Lá Maior, repousava entre outros velhos papéis em um arquivo morto de uma biblioteca de Budapeste. Sua descoberta inesperada fez a alegria dos apaixonados por música. É muito raro que um manuscrito de Mozart apareça assim. Ainda mais se tratando da Sonata em Lá Maior, da qual nenhuma versão manuscrita completa era conhecida, é realmente uma descoberta de peso”, inflama-se Adam Bosze, historiador da música húngara.

Devidamente autenticadas por especialistas, as quatro páginas amareladas de partituras, exumadas há pouco, vêm completar a única folha original conhecida até o presente, a do terceiro e último movimento, conservada no Mozarteum de Salzburg, na Áustria, a cidade natal do compositor. A Sonata para Piano, no. 11, em Lá Maior (K. 331), composta por volta de 1783 e cuja partitura foi publicada até milhões de exemplares, é uma das obras mais conhecidas de

                                                                                                                                                                         

feitos a partir das anotações de Beethoven em suas próprias partituras lançou novo entendimento acerca dessas últimas obras da sua chamada terceira fase, que engloba as obras compostas aproximadamente entre 1820 e 1827 (ano de sua morte).

  • Exemplos: Universidades de Oxford e de Cambridge, na Inglaterra; Instituto Mozarteum, na Alemanha, e Schola Cantorum, na Suíça.
  • Além dos estudos historiográficos, para os quais é praticamente regra elementar a consulta às fontes primárias, no campo dos Estudos Literários surgiu, já no séc. XX, a Critica Genética, disciplina e metodologia de estudo literário que elegeu como objeto precisamente os manuscritos e anotações paralelas feitas por determinados escritores, assim como as etapas intermediárias que funcionam como registro do processo de criação textual em suas respectivas obras literárias.

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791), especialmente por seu final, a Marcha Turca. “Com ‘Uma Pequena Serenata Noturna’ ou o primeiro movimento da Sinfonia em Sol Menor, a Marcha Turca é, sem dúvida, a melodia mais conhecida de Mozart”, ressalta o Sr. Bosze. “Cada criança pode assobiá-la”.

O original poderia, entretanto, ter permanecido ainda ausente das coleções, sem a meticulosidade de Balazs Mikusi, 42 anos, seu descobridor. Nomeado chefe do departamento de música da Biblioteca Nacional Szchenyi de

Budapeste em 2009, esse especialista esforça-se, há cinco anos, em “pesquisar os cantos mais obscuros” da venerável instituição, com o objetivo de dissecar metodicamente as inumeráveis folhas não inventariadas que lá acumulam poeira.

 

Origem misteriosa

 

“Quando encontrei esse manuscrito, a grafia imediatamente me pareceu muito ‘mozartiana’”, confia ele. “Ao ler as notas, meu pulso acelerou-se brutalmente quando percebi que se tratava da famosa Sonata em Lá Maior”, explica ele, abrindo cuidadosamente o documento. “Eu não procurava nada de Mozart, mas não é por acaso que o encontrei”, ressalta ele.

A maneira pela qual o famoso manuscrito apareceu nas coleções da biblioteca, criada em 1802, pelo rico aristocrata húngaro Ferenc Szechenyi, permanece um mistério. Ainda mais porque Mozart nunca foi à Hungria. “Sabe-se que os Szechenyi tinham bons contatos em Viena, assim como no mundo da música, mas o manuscrito pode muito bem ter chegado aqui em outro momento ao longo dos últimos 200 anos”, indica o Sr. Mikusi. Da mesma forma, não se sabe a razão pela qual a quinta página do manuscrito, a que se encontra em Salzburg, foi separada das outras folhas. Segundo o especialista, ela poderia ter sido arrancada para ser oferecida a um cliente rico.

O manuscrito original, que será interpretado em público pela primeira vez em Budapeste pelo grande pianista húngaro Zoltan Kocsis, contém pepitas para os melômanos informados: a partitura comporta uma ou outra ínfima variação de notas e de ritmos em relação à versão passada à posteridade, assim como correções acrescentadas pelo próprio compositor. “Isso não revolucionará nossa visão de Mozart, nem muda o caráter da peça, mas nos permite compreender melhor o que Mozart queria fazer”, estima o Sr. Mikusi.

 

Notícia      traduzida      de :      http://www.lefigaro.fr/flashactu/2014/09/26/97001

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[1] Doutor em Estudos da Linguagem pela UEL e apresentador do programa Música Universal, que completa 1 ano de programas semanais esta semana, pela Rádio Vox.

[2] Engenheira Mecânica, Professora de Francês e Apresentadora do Curso de Francês na Rádio Vox.

[3] Mozart é considerado não apenas um dos maiores mestres da História da Música como também um dos maiores gênios da humanidade de todos os tempos, devido a seu precoce e inexplicável talento musical, que conferia a ele o poder de transcrever e escrever óperas inteiras já aos 10 anos de idade, sem mencionar os concertos de piano que deu por toda Europa a partir dos três anos, idade em que a maioria das crianças daquela época nem tinham aprendido a falar.

[4] Por exemplo, as anotações feitas por L.V. Beethoven em seus últimos manuscritos possibilitarem o entendimento da relação entre a progressão de sua surdez que chegou a ser absoluta e suas últimas composições, as quais, aliás, foram violentamente rechaçadas por seus contemporâneos. Os estudos